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Análise fílmica da obra "O Poço"

Análise fílmica da obra

Instituto Ampliar


20/08/2020

O filme “O poço” proposto no ensejo, me fez reflexionar a existência do protagonista Goreng, assim como, a sua essência e o seu projeto original exposto mediante as facticidades e o ato crucial e angustiante de escolher ser do tipo de pessoa acima, ou do tipo de pessoa abaixo e do tipo de pessoa que escolhe cair. Em tempos de distanciamento social, não só por diferenças políticas, mas também pela já naturalizada estrutura socioeconômica que afasta cada vez mais a população de um país que luta por mais igualdade. A obra retrata de maneira abstrata, nosso mundo de forma tão assustadora quanto atual.

O personagem Goreng é um homem que faz por conta própria a escolha de ir para o local com o intuito de parar de fumar. O ato de escolher, segundo o existencialismo, nem sempre é algo prazeroso, pode ser complexo e inclusive muito angustiante escolher a todo momento. Por conta disso Goreng em uma das primeiras consequências da escolha feita por ele apresenta a angústia e o medo, que surge quando tomou a consciência da sua possibilidade de escolha, e de que as suas escolhas afetam a sua existência. Sartre diferencia entre angústia e medo. O medo origina-se de algo externo, que atinge a consciência. Trata-se de algo objetivo, determinado, que ameaça a existência do ser. A angústia, por sua vez, surge do nada. É a consciência do nada que angustia o indivíduo.

Na entrevista escolhe apenas levar um objeto, sendo este um livro do Dom Quixote (o qual causa estranhamento por sua escolha) e relata o comida preferida. O protagonista ao acordar dentro do poço, se viu em um lugar desconhecido, o qual procurou esmiuçar o espaço.

Lá dentro, ele conhece o senhor Trimagasi, seu “companheiro de nível”. Há meses no poço, o ancião verbaliza para o jovem como funciona a dinâmica do dia a dia. Relatando apenas a única ação que ambos têm durante todo o tempo, que é esperar por uma plataforma de comida que se move para baixo entre os andares todos os dias.

Como Goreng e Trimagasi estão no nível 48 do Poço, eles necessitam aguardar que os confinados se alimentem até que os restos cheguem ao seu andar. Preparado no nível zero, o luxuoso banquete fica em todos os níveis por apenas dois minutos antes de descer para o próximo. Nenhuma pessoa pode segurar restos consigo, com o perigo de receber punição. Conforme o tempo passa, Trimagasi para o protagonista que nem sempre eles terão com o que se alimentar e que os confinados dos andares de cima pouco se importam com quem está abaixo.

O único alento que o Goreng sente e também o maior medo dos quem vivem no Poço, é que a cada 30 dias as pessoas trocam de lugar aleatoriamente. Esse sistema força com que todos os confinados vivenciasse as mais diferentes situações, o que em alguns casos pode significar atingir o limite que um ser humano pode chegar ao tentar manter a sanidade metal passando muita fome.

Goreng explora em níveis extremos a natureza egoísta do ser humano, onde o instinto é sobreviver a qualquer custo para estar em uma posição privilegiada, preferindo escolher a selvageria do que compartilhar algo com o próximo. Um movimento desumana pela sobrevivência, mas também uma oportunidade que o mesmo se depara de solidariedade.

Goreng verbaliza sobre a bestialidade da condição humana, as divisões de classe e a capacidade do ser humano de se despir de suas convicções quando enfrenta o desespero da sobrevivência e a falta de consciência reflexiva a alienação.

Autor: Sidnei Eugênio de Oliveira 
Acadêmico da 5ª Serie de Psicologia da Universidade Paranaense  - UNIPAR Campus Cascavel/PR
Estagiário da EQUIPE AMPLIAR